Congregação de Nossa Senhora de Fátima recordada por Henrique Manhão

Em artigo publicado no Jornal Tribuna de Macau, edição de 26/04/2009, Henrique Manhão, macaense radicado nos EUA, recordava os velhos tempos da Congregação de Nossa Senhora de Fátima, que em 2017, é comemorado 100 Anos das aparições em Fátima.

Vejamos o que o Henrique escreveu:

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Congregação de Nossa Senhora de Fátima

texto de Henrique Manhão em 2009 no Jornal Tribuna de Macau

Os macaenses são muito devotos da Nossa Senhora de Fátima.Agora como no passado. Eram e são raras a casas que não têm uma sua estátua ou imagem nos altares. Nos anos 50, era ainda mais notória essa devoção. “O terço do Bairro”, introduzido em Macau em 1953 pelo Pe. João Guterres, missionário de Macau ao serviço do Padroado do Oriente em Singapura, foi bem recebido pela comunidade macaense. Cada família ficava com a estátua durante um período de nove dias, rezando o terço com a participação dos vizinhos. No nono dia, em jeito de despedida, faziase um chá para festejar a saída da estátua da Nossa Senhora que corria de casa em casa. A semana de 13 de Maio a estátua ficava na residência de Pedro José Lobo na Vila Verde.

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Rádio Vila Verde

O terço era radiodifundido, diariamente, pelas 20 horas, na Rádio Vila Verde, que então tinha programação em Português e em Chinês. A Congregação de Nossa Senhora de Fátima, dedicada aos estudantes de sexo masculino, estava a cargo do Padre Gonçalves S.J. Havia missa dominical na igreja de São Domingos para os congregados e no primeiro Domingo de cada mês, depois da missa era oferecido um chá. Nas ocasiões festivas havia sessões de loto com bons prémios pecuniários, oferecidos por Pedro José Lobo que também foi congregado. Fernando Nascimento foi seu presidente por muito tempo.

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Procissão de Nossa Senhora de Fátima em Macau 2012. Foto Jornal Tribuna de Macau

As duas grandes festas religiosas que os congregados tomavam parte eram a procissão de
Imaculada Conceição, ocorrida, anualmente no dia 8 de Dezembro e a de 13 de Maio em
honra da Nossa Senhora de Fátima que começava na igreja de São Domingos e terminava
na Ermida da Penha. Esta procissão ainda hoje se realiza e é emocionante ver o modo
como apesar do aumento populacional, ela passa por entre pessoas de todos os credos
perante o maior respeito.
Na altura, o andor da estátua de Nossa Senhora de Fátima era levado pelas congregadas
femininas, vestidas de branco, até o Palácio do Governo enquanto os congregados masculinos a transportavam até a igreja de Penha, que fica numa colina, como se sabe.

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Acervo de Angela Henriques

O prelado vinha ao átrio, acompanhado pelo Governador de Macau e sua família, para fazer
a bênção da cidade. Os estridentes sons dos clarins militares davam grande solenidade ao
acontecimento.
Por outro lado, a Congregação de Nossa Senhora de Fátima organizava, anualmente para
os congregados um passeio de quatro dias a Hong Kong, pagando um preço simbólico de 8
patacas.
Partia-se de Macau na madrugada de Sexta Feira Santa no vapor Lei Hong e regressava-se
na segunda feira no mesmo navio, o denominado” Lei Hong” que foi a pique num dos grandes tufões que assolaram Hong Kong.
Ficavam hospedados do colégio Wah Ian no Macdonal Road. As carteiras serviam de camas e comiam no Centro Católico.
Assistiam à missa na Igreja Catedral de Hong Kong, antes do pequeno almoço.
O resto do dia, além das compras nas armazéns Sincere, Lane Crawford, Wing On e China Emporium faziam passeios ao “Luna Park” em North Point que na altura era uma espécie de Disneyland em miniatura, aos Novos Territórios, Repulse Bay, aeroporto de Kai Tak, Peak Tram, Aberdeen, etc.
Devido aos esforços do Pe. Gonçalves, os congregados chegaram a visitar navios de guerra
e porta aviões americanos, fundeados no porto de Hong Kong.
Regressando a Macau depois de quatro dias alegres no “Lei Hong”, os congregados eram
esperados no ponte cais número 12 pelos seus pais, familiares e amigos.
As congregadas faziam o passeio anual a Hong Kong, separadas. Normalmente era em
Julho.

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