Ruínas de São Paulo e as ruas de acesso à principal atração turística de Macau

As Ruínas de São Paulo, mais concretamente a Igreja da Madre de Deus, foram classificadas, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

Após 9 anos de ausência, desde o Encontro das Comunidades Macaenses de 2010, já no segundo dia da chegada a Macau para a edição de 2019, por saudades fomos visitar as Ruínas de São Paulo, mesmo sendo um Sábado quando se espera uma multidão de turistas do Continente da China que costumam congestionar as vias de acesso constituídas pela Rua da Palha e a Rua de São Paulo, tendo como origem a Rua São Domingos.

Mesmo que em alguns trechos tínhamos que nos espremer no meio da multidão, valeu a pena também para ver isso, algo que não era tão significativo em 2010. Assim, venha comigo fazer a caminhada até a principal atração turística de Macau e conhecer um pouco da sua história.

Escadaria de 68 degraus

Publicação e fotografia de/photos by Rogério P D Luz

AS RUÍNAS DE SÃO PAULO

(Wikipédia) As Ruínas de São Paulo em Macau são as ruínas da antiga Igreja da Madre de Deus e do adjacente Colégio de São Paulo, importante complexo do século XVI destruído por um incêndio em 1835. A antiga Igreja da Madre de Deus, o Colégio de São Paulo e a Fortaleza do Monte foram todas construídas pelos jesuítas e este conjunto pode ser identificado como a “Acrópole de Macau”. Tudo o que resta da maior e mais bela das igrejas de Macau é a imponente fachada de granito e a escadaria monumental de 68 degraus. Em contrapartida, não restou muitas coisas do Colégio.

As Ruínas de São Paulo, juntamente com a Fortaleza do Monte, estão incluídos na Lista dos monumentos históricos do Centro Histórico de Macau, por sua vez incluído na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO. Pode-se considerar que esta imponente estrutura é o símbolo máximo da cultura ocidental-cristã em Macau.

Segundo o “Atlas mundial de la arquitectura barroca” (uma publicação da UNESCO em 2001), a fachada da Igreja, juntamente com a Igreja de S. José, é um exemplo único da arquitectura barroca na China. As Ruínas de São Paulo são um dos melhores exemplos do valor universal excepcional de Macau.

As Ruínas de São Paulo, mais concretamente a Igreja da Madre de Deus, foram classificadas, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

A Igreja da Madre de Deus, também chamada vulgarmente de Igreja de São Paulo, foi construída em 1565 em anexo ao Colégio Jesuíta de São Paulo, a primeira instituição universitária de tipo ocidental no Oriente. A igreja, excepto a fachada, era construída em taipa e em madeira e, de acordo com os registos, estava ricamente decorada e mobilada.

Em 1595 um incêndio causou algumas danificações à Igreja e ao Colégio. O colégio foi rapidamente reconstruído, mas a Igreja só acabou de ser reparada em 1602. Após as grandes reparações, ela tornou-se numa bela e grandiosa basílica. Naquela altura, ela era a maior igreja católica do Extremo Oriente e era muitas vezes chamada de “Vaticano do Oriente”. Uma inscrição em latim, à esquerda da base da fachada, confirma esta data de reconstrução: “Ano de 1602, Macau dedica à Santíssima Virgem Maria”. Em 1603, entrou de novo em serviço. Os jesuítas foram forçados a abandoná-la em 1762, quando foram expulsos pelas autoridades portuguesas, durante a supressão da Companhia de Jesus. Em 1835, entre as 18h00 e as 20h15, um violento incêndio, começado nas cozinhas do Colégio, alastrou-se rapidamente, destruindo completamente o Colégio e a Igreja. Apenas a elegante e grandiosa fachada de granito é que escapou à destruição. Alguns dizem que no facto de a fachada conseguir escapar à destruição foi um autêntico milagre de Deus. A Igreja nunca mais foi reconstruída.

Descrição da fachada

A fachada e a escadaria monumental só foram concluídas em 1640. A imponente fachada de granito foi trabalhada, durante muitos anos, por cristãos japoneses exilados e artistas locais, sob a orientação do jesuíta italiano Carlo Spinola. Tem 23 metros de largura e 25,5 metros de altura. Esta fachada foi construída com base no conceito clássico da divina ascensão, por isso está dividida em 5 níveis horizontais encimados por um frontão triangular. Cada nível da fachada representa um determinado estado da caminhada espiritual ascendente do crente ao Paraíso, que é o último estado desta longa caminhada cristã e o lugar onde vão todos os homens que, resistindo à tentação do Diabo, conseguiram fazer a caminhada toda e alcançar a santidade. Por isso, o frontão (o quinto e último nível) simboliza a Santíssima Trindade, que vive no Paraíso.

A fachada, imponente e magnífica, é de estilo maneirista/barroco, mas também apresenta estilos da ordem jónica, da ordem coríntia e da ordem compósita. É ricamente decorada com imagens bíblicas, representações mitológicas, símbolos do Paraíso e do Mistério pascal, inscrições religiosas em chinês, crisântemos japoneses, uma caravela portuguesa, leões chineses, esculturas e estátuas de bronze com imagens dos fundadores da Companhia de Jesus (Santo Inácio de Loyola, São Francisco de Borja, São Francisco Xavier e São Luís Gonzaga), da Virgem Maria, do Menino Jesus, de anjos e de demónios. As imagens da Virgem Maria ocupam uma posição central nesta fachada, justamente porque esta fachada pertence a uma igreja que se chama “Madre de Deus” (ou “Mãe de Deus”, ou seja, a Virgem Maria).

Esta fachada reflecte o estilo arquitectónico dos jesuítas e uma fusão de influências à escala mundial, regional e local. Ela é uma peça arquitectónica muito rara e apresenta elementos de influência europeia, chinesa, japonesa e de outras partes da Ásia. É considerada um verdadeiro sermão e síntese doutrinal em pedra, porque ensina as pessoas, através de imagens e de algumas inscrições em chinês e em latim, a doutrina católica e os principais ensinamentos defendidos na Contra-Reforma católica, como a transubstanciação, o papel especial da Virgem Maria na salvação, a graça, a missa, a questão da justificação, os santos, etc. Actualmente, a fachada de São Paulo é um dos símbolos e centros turísticos de Macau. Funciona também simbolicamente como o altar da Cidade. (Wikipédia)

A CAMINHO PARA AS RUÍNAS DE SÃO PAULO PELA RUA DA PALHA E A RUA DE SÃO PAULO

Ao fundo, no prédio amarelo, a Rua de São Domingos e do seu lado esquerdo a Travessa da Sé. Na foto a Rua da Palha, o início da caminhada para as Ruínas de São Paulo.

O acesso mais habitual para as Ruínas de São Paulo se inicia no entroncamento da Rua de São Domingos, onde se localiza a Igreja de São Domingos, com a Travessa da Sé, através da Rua da Palha, tendo seguimento pela Rua de São Paulo até a Travessa de São Paulo.

A principal atração turística de Macau é um dos locais mais visitados pelos turistas do Continente da China, principalmente, tanto que nos finais de semana acabam congestionando as duas vias, especialmente no trechos mais estreitos.

Como era Sábado de um final de semana comum, até que, apesar da multidão ser grande, dava para circular sem grandes atropelos. O que se estranha e até que custa muito aos residentes e a quem do estrangeiro que visita Macau pelas ligações nos tempos antigos, é ver a cidade entupida de gente mesmo que seja em determinados locais, mais na área central. O que já não podemos dizer que, com o esvaziamento das ruas por conta da pandemia do Convid-19, se isso dá uma certa saudade com implicações na economia da cidade? Certo que temos que ter esperança que isso passa e a vida do nosso planeta voltará ao normal.

Ainda a Rua da Palha, mais larga que a Rua de São Paulo. À direita a Rua do Monte
Turistas se aglomeram para degustação gratuita da muita apreciada bak-kwa, uma carne prensada tal como uma folha de papelão.
Rua da Palha após passar pelo entrocamento com a Rua do Monte
Esta tradicionalíssima venda de chá medicinal Tai Sing Kung que já existia nos meus tempos dos anos 60, quando ainda morava na minha terra natal.

Na foto acima, o final da Rua da Palha na junção com a Travessa dos Algibebes e a Rua das Estalagens. Adiante tem início a Rua de São Paulo. O prédio de cor ocre no lado esquerdo é do Templo budista “Noi Woi”.

Sobre a Rua das Estalagens, veja a postagem no meu blog Crónicas Macaenses que conta a sua história clicando no link a seguir: “Rua das Estalagens uma via que marcou uma época no passado” de autoria do competente pesquisador Manuel V. Basílio, de Macau

Esta pastelaria estava vazia e sem turistas, talvez por não oferecer a distribuição gratuita de carne prensada.
Ainda a Rua de São Paulo com grande aglomeração de transeuntes, mas dava para transitar com um empurrão aqui e acolá.
Nesta pastelaria pode-se ver diversos tipos de carne prensada, a bak-kwa, com preços variados.
Rua de São Paulo. Quando se oferece degustação gratuita, aí a aglomeração.
Rua de São Paulo

Na altura do nº 15 da Rua de São Paulo, à direita no sentido das Ruínas, na Travessa da Fortuna está localizado um estabelecimento de comidas brasileiro “Yes Brasil” que entre outros salgados oferece – o Pastel – muito apreciado em São Paulo, Brasil recheado de queijo, carne moída “minchi” etc. Recomendo, pois adoro!

Cartaz do pastel do Yes Brasil
Loja de souvenirs na Travessa da Fortuna, com lindas lembranças de Macau.
Prédios residenciais na Rua de São Paulo.

A pastelaria Koi Kei Bakery que tem várias filiais em Macau.
Próximo do final da caminhada pela Rua de São Paulo na altura em que a via fica mais larga, já se avista as Ruínas de São Paulo.
Interessante comércio que serve sorvetes, sucos/sumos etc,
A Rua de São Paulo continua à esquerda.

Estátua à amizade entre Portugal e a China
Vale toda pose para ficar bonita na foto, algo muito comum entre os turistas.
Nesses tempos, antes da pandemia, é difícil tirar uma foto das Ruínas de São Paulo e da escadaria com pouca gente, tal como antigamente.

Detalhe do turista a carregar a sua mala de viagem nos passeios, algo bastante comum nas ruas de Macau.

Atrás da fachada das Ruínas de São Paulo.

O MUSEU DE ARTE SACRA E CRIPTA

(Fonte: City Guide do Governo da RAEM)

Uma escavação arqueológica que durou cinco longos anos revelou o que estava por baixo da antiga Catedral de S. Paulo. O Museu de Arte Sacra e Cripta foi construído no local onde se encontrava o altar da igreja, tendo sido inaugurado em 23 de Outubro de 1996.

O Museu de Arte Sacra e Cripta ao fundo.

O amplo espaço situado por detrás da fachada de S. Paulo conduz às naves que desembocam na entrada do Museu. A cripta situa-se no extremo da nave direita, onde ocupa posição central um túmulo de granito que se julga ser o do fundador do Colégio de S. Paulo, Padre Alexandre Valignano. As vitrinas nas paredes de cor carmesim, que ladeiam a cripta, contêm restos mortais de missionários, muitos deles oriundos do Vietname e do Japão, que participaram na construção da catedral e cujos nomes constam de uma lista afixada no exterior da cripta, onde repousam na paz eterna.

O acesso ao Museu de Arte Sacra pode fazer-se através da Cripta ou da nave esquerda. Nele estão em exposição valiosos e requintados artefactos católicos que datam dos séculos XVI a XIX, recolhidos das diversas igrejas e seminários de Macau. De entre estas colecções de elevado valor artístico há a realçar quatro pinturas a óleo que descrevem a vida de S. Francisco Xavier, crucifixos com design variado, estátuas de santos e vasos litúrgicos. A peça mais valiosa em exposição é uma pintura a óleo do “Arcanjo S. Miguel”, a única obra de arte que sobrou do antigo Colégio de S. Paulo.

Macau foi durante séculos a base de missionação católica no Extremo Oriente. O Museu de Arte Sacra e Cripta mostra aos visitantes uma valiosa colecção de vestígios históricos que permitem recordar o passado e compreender o presente. (CityGuide.Gov.MO)

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