Em Macau, três novos livros de dois autores em língua portuguesa

O livro de poemas “Pétalas ao Vento” lançado a título póstumo de José Maria Bártolo e outras recentes obras do Manuel V. Basílio, “Sítios com Histórias”, em dois volumes, foram lançados oficialmente em 5 de Novembro de 2021.

A sessão de lançamento realizada no Instituto Internacional de Macau-IIM, foi presidida por Rufino Ramos, seu secretário-geral e presidente da Direcção da AAASSJM-Associação dos Antigos Alunos do Seminário de S. José.  Na mesa de honra, estavam as filhas de J. M. Bártolo, Sandra e Tânia, de um lado,  Eduardo Tavares e José Sales Marques, presidente do Conselho Permanente do CCM-Conselho das Comunidades Macaenses, que fez a apresentação dos livros do Manuel Basílio.

Após a abertura da sessão, a Tânia e a Sandra fizeram a apresentação do livro póstumo do pai, que consiste de uma colectânea de versos que ele tinha escrito, em rimas soltas, ao longo de muitos anos, para celebrar a vida, comentar acontecimentos, evocar entes queridos que o deixaram, dar conselhos à juventude, bem como registar tudo quanto a sua veia poética lhe ditava.

Seguidamente, o seu antigo colega do Seminário, Eduardo Tavares, também comentou, com elogios, sobre a obra de José Maria Bártolo, tendo aproveitado o ensejo para recordar os seus tempos de juventude, enquanto seminaristas do Seminário de S. José.

Manuel V. Basílio e suas obras “Sítios com Histórias” em dois volumes

Manuel V. Basílio, colaborador do nosso blogue associado ‘Crónicas Macaenses‘ com postagem que contam histórias de Macau, teve seus dois livros lançados oficialmente neste evento.

Os dois volumes de “Sítios com Histórias” baseiam-se na história de Macau e, tal como nas anteriores publicações, a narração daquelas histórias não é feita em linguagem técnica ou literária, mas sim numa forma simples e atraente, facilmente compreensível por qualquer leitor.

Índice do Volume 1

No Volume 1, da nova série, estão incluídos, também, artigos já publicados em Crónicas Macaenses, os quais, entretanto, foram revistos e actualizados, designadamente o artigo “Igreja e Bairro de S. Lourenço”, com a inclusão de mais antigos moradores e, além disso, foram identificadas quase todas as pessoas que aparecem nas fotografias publicadas. Incluídos no Volume I, estão os artigos sobre “Igreja, Largo e Rua de S. Domingos”, “Rua do Mastro”, “Rua do Gamboa”, “Bairro da Felicidade” e, ainda, um novo artigo, não publicado em Crónicas Macaenses, relativo à “Sé Catedral”, no qual o autor abordou a questão de qual teria sido a primeira igreja matriz da Diocese de Macau, como era a configuração da igreja antes da reconstrução segundo o projecto de José Tomás Aquino e, ainda, as zonas circundantes.

Macau – Igreja de São Lourenço
Índice do Volume 2

Os temas publicados no Volume 2 são todos inéditos, relacionados com a história de Macau, desde o estabelecimento dos portugueses no “Porto do Nome de Deus de Amagao”, incluindo uma análise, baseada em pesquisas nos diferentes dialectos de “fujian” (ou Fôk Kin, em cantonense), e também no de “hakká”, sobre a origem do nome “Macau”; descrição sobre as principais “Fortificações da Cidade de Macau”, as respectivas construções e ampliações, após a invasão dos holandeses em 1622; o alargamento da cidade, com recurso a “Obras de Aterro no Século XIX” e que motivaram o desaparecimento de algumas localidades, tais como a Praia Pequena, a Praia do Manduco e a Ponta da Rede, bem como a criação de novas zonas da cidade, para habitação e comércio; a concretização da primeira “Obra concessionada”, requerida por Miguel Ayres da Silva, mediante a apresentação de um “projecto de obras em todos os seus detalhes, plantas, perfis, alçados e mais trabalhos especiais”, que, com parecer favorável do Conselho Técnico das Obras Públicas, mereceu aprovação do então governador Carlos Eugénio Correia da Silva, tendo, então, sido formalmente assinado o primeiro contrato de concessão entre o governo e o concessionário; expansão territorial da cidade na segunda metade do século XIX, através de expropriações e saneamento das zonas rurais, situadas a norte da península, de forma que as “Urbanizações extramuros” deram lugar à extinção de povoações rurais, à abertura de novas vias públicas, designadamente as principais avenidas, e à renovação urbana; e, por fim, uma narração sobre a vida de Cheong Pou Chai (normalmente conhecido pelo nome romanizado Cam Pao Sai ou Apo-chai), desde que ele foi raptado, quando tinha cerca de 15 anos, por um chefe de piratas, passando a viver com ele, até se tornar, mais tarde, o mais temível pirata do sul da China, no primeiro quartel do século XIX.

Apesar do seu poderio naval, Cheong Pou Chai acabou por sofrer uma pesada derrota num confronto com a frota portuguesa, tendo, por fim, aceite a sua capitulação ao Vice-Rei de Cantão, sob a mediação do Ouvidor Arriaga, a fim de testemunhar a concessão da prometida liberdade, bem como sua a nomeação para um cargo de mandarinato. Cheong Pou Chai viveu em Macau, por um período da sua vida, assim como mulher, que, após o falecimento de Cheong Pou Chai, ocorrido no mar, próximo das ilhas dos Pescadores, regressou com os seus filhos para Macau, onde passou o resto da sua vida.

José Maria Bártolo e seu livro de poemas “Pétalas ao Vento”

José Maria Bártolo, embora transmontano, passou praticamente toda a sua vida em Macau, onde fez os seus estudos, se formou e se tornou homem, ‘um homem muito dedicado, responsável e trabalhador, tanto para a família como para a comunidade‘ conforme o definem, tendo resumido o percurso da sua vida na nota biográfica abaixo, publicada no seu livro “Arengas à Lua”. O seu último livro de poemas, “Pétalas ao Vento”, cuja edição o autor esteve à espera antes de ser vitimado por doença. A produção do livro foi feita e financiada pela mesma AAASSJM-Associação dos Antigos Alunos do Seminário de S. José.

Biografia de José Maria Bártolo

Nasceu na freguesia de Bemposta, que o rio Douro bordeja e que um dia já foi vila até ao século XIX, concelho de Mogadouro, Trás-os-Montes, logo no dealbar do ano de 1941. Rumou a Macau, atravessando oceanos, aninhado no vapor “Índia” (integrava um grupo de 6 jovens) para ingressar no Seminário de S. José (21.2.1955), imbuído do sonho de seguir a vida eclesiástica. Mas … já bem disse Jesus: “multi vocati, sed pauci electi”. Desistindo desse sonho quando frequentava o 4º ano do Curso Teológico (26.11.1966), poucos dias antes de acontecer o célebre 1,2,3, a cujas demonstrações e desacatos populares, de cunho político, assistiu, ingressou e serviu o funcionalismo público da Administração Portuguesa (1.4.1967), de início nos Serviços de Obras Públicas e Transportes, até se aposentar em 3.11.1993, como chefe de Divisão da DPO da Imprensa Oficial, outrora Nacional, para onde transitara, por concurso, em 16.8.1975.

Desde então e até hoje, jamais deixou de exercer o mister de “Letrado” em vários Serviços da Administração, quer antes, que após o regresso de Macau à “Mãe-Pátria”. Nos interstícios que a vida permitia, colaborou, por simples gosto e prazer, já lá vai um bom par de anos, na imprensa escrita, em particular, no “Clarim” e na “Gazeta Macaense”, hoje desaparecida, e leccionou na antiga Escola Comercial “Pedro Nolasco”, em tempo parcial, as disciplinas de Português, Geografia e História. Cada qual por três anos. Ao Seminário de S. José, escola, por excelência, de formação de homens, tudo deve. O latim, escrito e falado, língua comum dos Cursos Filosófico e Teológico, em muito contribuiu para o aperfeiçoamento do seu português, tão prestável às lides do seu dia-a-dia.”

José Maria Bártolo (primeiro à esquerda) era membro do Coro de São Tomás, com actuação em cerimónias religiosas como esta na Sé Catedral em Macau
José Maria Bártolo (primeiro à esquerda) era membro do Coro de São Tomás, com actuação em cerimónias religiosas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s